Depressão e envelhecimento celular: estarão relacionados?

Rúbrica Científica

A relação entre Distúrbio Depressivo Maior (DDM) e doenças relacionadas com o envelhecimento já tinha sido previamente estabelecida na comunidade científica, no entanto, novas descobertas enfatizam ainda mais a associação entre estas duas variáveis. Investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) hipotetizam que a depressão poderá despoletar um processo biológico que acelera o envelhecimento, podendo levar a que as células envelheçam a um ritmo mais rápido (geralmente dois anos a mais do que a idade normal).

Para tentar estabelecer a relação entre depressão e envelhecimento prematuro foi necessário recorrer a algo denominado de “epigenetic clocks”, que têm a função de medir as mudanças da quantidade de químicos no DNA de um indivíduo. Quando uma pessoa envelhece, átomos particulares no seu DNA irão ser substituídos por metilo, através de um processo chamado de metilação. Estas alterações químicas irão alterar funções dos genes nas células.

Num estudo recente da UCSF, foram procurados padrões específicos de metilação relacionados com mortalidade (os GrimAge) em pessoas que sofrem de DDM. Os resultados obtidos permitiram concluir que, apesar de os indivíduos com a patologia que participaram no grupo de testagem não possuírem sinais físicos de envelhecimento precoce, possuíam maior quantidade de GrimAge do que os indivíduos de controlo com a mesma idade.

É importante referir que ainda não é claro se a depressão causa mudanças na metilação em algumas pessoas, ou se a depressão e a metilação são ambas relacionadas com outro fator ainda não descoberto/estudado. Para além disto, o número de indivíduos que participaram no estudo foi pequeno, devendo este ser repetido numa escala maior para confirmar o achado.

A mudança na forma como interpretamos uma doença tão comum como a depressão é deveras muito importante! Esta descoberta permite pensar na depressão não só como uma doença relacionada com o sistema nervoso, mas sim com o corpo todo e outros sistemas. O passo seguinte será procurar tratamentos e terapias que possam prevenir a metilação precoce e, por sua vez, retardar a ação da DDM.

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